Eu soube das últimas notícias pela televisão. Ela se foi... Há quanto tempo não conversava com ela... Apesar disto, não me entristeci. Sei que viveu intensamente, que lutou por seus ideais e que deixou sua essência perfumando nossa imaginação com as memórias e nossos olhares com fotos documentários de um amor maior. Juntaram-se finalmente onde escolheram para, transformados, serem sal da terra.
Na verdade, conheci o seu amor primeiro. Encantei-me com suas letras e com a Bahia que ele pintava em suas obras de arte. Eu, uma menina moça atrevida, que devorava todas as coleções de livros de minha mãe. Descobri Jorge nos anos 70. Li todos os seus palavrões, descrições e verdades cruas com a permissão de meus pais e contra as normas do meu colégio. Jamais tinha pensado que alguém fosse capaz de escrever coisas que me ruborizassem e eu fosse gostar tanto. Assim, conheci os cantões daquela terra, os hábitos, as maldições, as muitas bênçãos, os costumes, o sincretismo religioso, os amores vadios e tardios, o povo que pintou com suas cores de pomba gira. Ele ligava a minha Minas ao porto, ao mar, e o sal daquelas praias entranhou em minhas veias criando elos.
Ao saber de sua biografia, encantei-me por aquela paulistana baiana que datilografava suas letras. Aquela que o acompanhava desde a luta, desde os desencantos e registrava em fotografias os momentos. Tornei-me amiga daquela senhora de rosto sorridente. Viajei com ela para o exílio, ajudei-a a conseguir sabonetes que eram racionados, a fazer jantares para os amigos brasileiros lá, acompanhei-a na Sorbonne e na vida de saudades e preocupações com os que aqui ficaram. Aprendi um novo significado para a anarquia e a ver que minha família não era anormal. Não entendia da política e era encorajada e fugir dela, mas gostava da maneira como aquela senhora me contava sua vida e suas experiências. Assim, ficamos amigas e ela jamais soube disto, ou soube, porque quem escreve memórias sabe que, nós leitores, invadimos sua vida sem cerimônias.
Eu quis deixar registrado, porque naqueles tempos eu ainda era a menina que lia deitada de bruços na cama do quarto de hóspedes e descobria meu mundo de sonhar. Vivia entre as estradas de ferro e minério, montanhas de ametistas e todos os mundos que os autores me levavam a conhecer pelas suas mãos. E ela foi um destes.
A imagem que fica dela é de um olhar vívido e um sorriso verdadeiro...
© Claudinha
Na verdade, conheci o seu amor primeiro. Encantei-me com suas letras e com a Bahia que ele pintava em suas obras de arte. Eu, uma menina moça atrevida, que devorava todas as coleções de livros de minha mãe. Descobri Jorge nos anos 70. Li todos os seus palavrões, descrições e verdades cruas com a permissão de meus pais e contra as normas do meu colégio. Jamais tinha pensado que alguém fosse capaz de escrever coisas que me ruborizassem e eu fosse gostar tanto. Assim, conheci os cantões daquela terra, os hábitos, as maldições, as muitas bênçãos, os costumes, o sincretismo religioso, os amores vadios e tardios, o povo que pintou com suas cores de pomba gira. Ele ligava a minha Minas ao porto, ao mar, e o sal daquelas praias entranhou em minhas veias criando elos.
Ao saber de sua biografia, encantei-me por aquela paulistana baiana que datilografava suas letras. Aquela que o acompanhava desde a luta, desde os desencantos e registrava em fotografias os momentos. Tornei-me amiga daquela senhora de rosto sorridente. Viajei com ela para o exílio, ajudei-a a conseguir sabonetes que eram racionados, a fazer jantares para os amigos brasileiros lá, acompanhei-a na Sorbonne e na vida de saudades e preocupações com os que aqui ficaram. Aprendi um novo significado para a anarquia e a ver que minha família não era anormal. Não entendia da política e era encorajada e fugir dela, mas gostava da maneira como aquela senhora me contava sua vida e suas experiências. Assim, ficamos amigas e ela jamais soube disto, ou soube, porque quem escreve memórias sabe que, nós leitores, invadimos sua vida sem cerimônias.
Eu quis deixar registrado, porque naqueles tempos eu ainda era a menina que lia deitada de bruços na cama do quarto de hóspedes e descobria meu mundo de sonhar. Vivia entre as estradas de ferro e minério, montanhas de ametistas e todos os mundos que os autores me levavam a conhecer pelas suas mãos. E ela foi um destes.
A imagem que fica dela é de um olhar vívido e um sorriso verdadeiro...
© Claudinha


* (Imagens: Google)
Corujice Assumida:
Meus amigos queridos, gostaria de avisar a todos que minha caçula voltou a blogar. Ana Júlia é uma menina de dez anos, dona do blog Crônicas De Uma Menina. Vale uma visitinha!
Beijos e obrigada também aos amigos que a visitaram!
.:: Música deste post: “Ponta de Areia” (Milton Nascimento e Fernando Brant)::.
.::com Nana Caymmi::.
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