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| Fotografia de We♥it |
Aquele foi o mais doloroso
dos diálogos...
Entrou em seu carro e, a
partir daquele momento, não reconhecia mais nada. Pareciam-lhe estranhos os
painéis, os controles, até as cores... O mundo vibrava em tons fortes e contundentes.
O tempo parou naquele olhar
castanho. Enquanto se desfazia dos saltos altos, seu estômago revirava em
acrobacias inéditas.
Onde estavam as chaves?
Onde estava o chão?
Tudo parecia tão diferente...
O motor ligado, os pés descalços
e trêmulos nos pedais... O trânsito fluindo e seu olhar no espelho retrovisor.
Ela o observava se afastando, cada vez mais em sentido contrário ao seu. Metáfora de
tudo o que viveram, sempre se distanciando aos poucos.
Os segundos transformaram-se
em séculos, os movimentos se desconectaram da força da gravidade e só a mente
confusa parecia estar viva. Jamais teriam um amanhã. Jamais teriam uma história,
filhos e momentos.
Ela jamais amaria alguém
assim, porém, não haveria mais sol em sua estrada.
O carro continuou sua jornada
ali, motor ligado, sem sair do lugar.
Ele se foi, assim como se vão
os dias, como se vão as tempestades, como migram os pássaros no inverno. Tudo
acontece porque tem que acontecer. Estava escrito... No livro dos dias, nas
páginas douradas!
© Claudinha
.:: Música deste post: “Something”
(George Harison) ::.
.::com The Beatles ::.






